Residentes em Jornalismo emocionam com histórias sobre colaboradores da Águia Branca

02/12/2016

O Projeto Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta contou pelo quarto ano consecutivo com a o apoio da Viação Águia Branca. Conforme tradição, todos os anos os 15 residentes do projeto são convidados a participar de um concurso cultural, no qual devem escrever um texto jornalístico com tema definido pela Águia Branca.

Neste ano para celebrar a comemoração dos 70 anos da empresa, os residentes foram convocados a escrever sobre a história de três colaboradores muito especiais: o motorista Santinho, com 32 anos de empresa, o Superintendente de Operações Mauro Melo, com 39 anos de empresa e o Supervisor da agência de Linhares, Arnaldo Pires, com 40 anos de Águia Branca.

O residente vencedor do concurso foi Rafael Gomes, que escreveu a história de Arnaldo Pires e agora vai aproveitar o seu prêmio: uma viagem com acompanhante para Porto Seguro, no exclusivo serviço leito cama do ônibus Double Deck e três dias de hospedagem em Resort all inclusive.

Confira abaixo o emocionante texto do jornalista Rafael Gomes.

 

Sua história, nossa história: o homem de três fronteiras

Por Rafael Gomes

A rodoviária de Nanuque sempre foi pequena para os sonhos de Arnaldo Pires. “Era praticamente um abrigo de ônibus”, relembra 40 anos depois. Do bar onde ele trabalhava desde os 14 anos era possível avistar, logo em frente, o lugar que mudaria para sempre sua vida. E entre atender os clientes e tomar conta do estabelecimento do irmão mais velho, sobrava tempo para sonhar com um emprego melhor. “Eu via toda aquela disciplina, aquela organização, a pontualidade dos motoristas, o uniforme, e já tinha vontade de trabalhar lá”.

Ao retornar do serviço militar em 1975, Arnaldo não teve dúvidas sobre o lugar que iria procurar para tentar mudar de vida. “Cheguei lá e falei: assim que surgir uma vaguinha arruma pra mim, pode ser para trabalhar com qualquer coisa”. A tentativa deu certo. A vaga surgiu e a história de Arnaldo Pires no Grupo Águia Branca teve um ponto de partida: o ex-atendente de bar ficou com o cargo de auxiliar de escritório. Foi promovido a encarregado no ano seguinte, e no vai e vem diário de ônibus e passageiros que passavam pela cidadezinha do interior mineiro, oito anos se passaram até ele assumir o cargo mais alto da empresa na cidade: o de supervisor.

A pequena Nanuque ficou no retrovisor de Arnaldo em 1986. Sempre acompanhado da esposa - a dona Marli de Barros - e dos três filhos, o supervisor aceitou a proposta para trabalhar em Teixeira de Freitas, na Bahia. Foi ali o maior desafio de sua vida. “Em Nanuque era tudo pequeno, inclusive meu setor. Inicialmente veio aquela insegurança, pois cada lugar que a gente passa é uma cultura diferente”, conta.

Mas vindo de uma cidade que tem o apelido de “Capital das Três Fronteiras” por estar na divisa entre Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, Arnaldo tirou o desafio de letra. A adaptação foi rápida e a estadia na Bahia durou 12 anos. Faltava então a última parada para completar os Estados fronteiriços. Em 1998, Linhares apareceu no trajeto de Arnaldo. “Hoje já me considero capixaba”, comenta. Na maior cidade do Norte do Espírito Santo, é dele a função de controlar as linhas de ônibus, conferir as escalas de motoristas e cobradores e supervisionar a venda de passagens.

Aos 63 anos, sendo 40 trabalhando na Águia Branca, Arnaldo Pires é hoje o funcionário mais antigo da empresa. “Quando entrei não imaginava que iria ficar tanto tempo. Mas hoje sinto um orgulho imenso em trabalhar em um grupo que funciona como uma família. Aqui eu me sinto em casa”.